Mensagem – Fado de Quem Não Volta
Há silêncios que gritam mais alto do que mil vozes.
Há ausências que se sentam à mesa connosco, noite após noite, como se nunca tivessem partido.
“Fado de Quem Não Volta” não é apenas uma canção — é uma oração sussurrada ao vento, dirigida àqueles que amámos e que, por força do destino, deixaram de estar.
Não se trata apenas da morte, mas da partida em todas as suas formas:
O amigo que se afastou, o amor que se perdeu, o pai que já não volta, a mulher que se foi sem dizer porquê.
Cada ausência deixa um espaço vazio no peito — um espaço que não se vê, mas que pesa.
E é aí, nesse vazio, que nasce este fado.
A guitarra portuguesa chora, a voz embarga-se.
O que se canta é o que não se consegue dizer em conversa, o que fica atravessado na garganta.
É um “volta” que nunca chegou a ser dito.
É um “adeus” que doeu demais para ser pronunciado.
O fado tem esta verdade crua: aceita a dor sem a negar.
Dá-lhe nome.
Dá-lhe melodia.
E permite que quem ouve se reconheça no canto, se reveja no pranto, se liberte pela partilha.
Duarte Marçal, com a sua voz rouca e grave, canta não só para quem partiu, mas para quem ficou a lidar com o silêncio que se seguiu.
Com a sua guitarra ao lado e o Tejo por testemunha, transforma a saudade num ato de amor.
Num ritual que não traz de volta quem partiu, mas que honra a sua memória com dignidade e emoção.
“Fado de Quem Não Volta” é uma carta aberta a todos os ausentes.
Um tributo a quem não está, mas nunca deixou de ser.
E sobretudo, uma promessa: enquanto houver fado, nunca estaremos verdadeiramente sós.
Fado de Quem Não Volta - Duarte Marçal


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